30/06/2010

SEM PALAVRAS

Aquele que concebe
e sofre a ação dos ventos
Algo como intuição,
ou febre do meio-dia
Para-brisa embaçado

21/06/2010

TRINCAS

O amor,
uma febre
que desoxida
os
sentidos
conferindo
a cada qual,
uma lucidez
cristalina.

Até onde
o copo
suporte
teu canto
e se parte

PARABÓLICAS

Ouvir com os olhos
Antenas da intuição

17/06/2010

AZUL

Sexta, se vampiriza
Sábado, se orquidealiza
Domingo, se fragiliza
Segunda, se materializa
Úbero de brumas
Liso de ventos
Palavras em
Fragmentos
Cacos de
Uma manhã
De porcelana
Da melhor ou pior
Estirpe, hoje
Sou poeta.

16/06/2010

LEITURA DINÂMICA

Não vou correr os olhos pelo livro, pois senão, seria como varrer centenas de moscas mortas, folha abaixo. Ler é adentrar as páginas como a água que se infiltra numa esponja. Absorver e ser absorvido. Na verdade, me perdoem o "trocatrilho", mas a tal da leitura dinâmica desmantela a dinâmica da leitura.

14/06/2010

UM BREVE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Só enxergo o que penso

PRESCRIÇÕES VÉDICAS

Vide a bula

Trocar o adocicado
pelo salino

A beleza é doce,
e o autêntico,
salgado

penso, logo insisto

As vibráteis
antenas
do inseto
Meu lápis
Meu lapso

13/06/2010

FORA DE FOCO

intenções que não fazem
parte desse mundo
intenções que já não são
mais desse tempo

alcool em contato
com os ventos
evaporação visível
aos olhos
vácuo perpetrado
na pele

Tua foto em negativo.

LAR

Teu calor é o anfitrião.
Teu perfume, os ares de casa
Tuas curvas, delineadas
para as concavidades
de minhas mãos
Tua saliva, a água fresca
da moringa
Teu suspiro, o
travesseiro que
me conta
histórias

09/06/2010

tiket

acústica presença
gráfica anuência

08/06/2010

canais

prosa falha
lisa poesia
o gago
e o cantor

07/06/2010

FONTE

A palavra é um rio que corre ao contrário, em busca de seu olho d'água.

06/06/2010

contactos

As bandeiras drapejam
no contra tempo
dos ventos

As figuras ondulam
no contra golpe
dos pensamentos

As roupas tremulam
no contra canto
da amada

Palavra acenada
num lenço de
despedida.

Professor de Mecanografia, Olinto.

05/06/2010

Inícios

Com um layout desse naipe fica até dificil de se escrever algo à altura. É como se as palavras estivessem de terno e gravata, para irem aonde, é o que eu não sei. Essa sensação, me faz lembrar o início de caderno novo, quando o capricho é quem dá o tom; eis o momento em que o escrevinhador se esmera antes de tudo, na caligrafia...
Enfim, está lançado o tal do blog, vamos ver no que é que dá.

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